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 Quando o "NÃO" também passou a significar "sim" ou "talvez"

 

Diante dos atuais acontecimentos e da ampla discussão sobre assédio a pergunta "como podemos evitar que isso aconteça com nossas filhas?" se tornou recorrente no consultório e nas rodas de conversas.

 

Esse questionamento me estimulou a refletir e me percebi ampliando a pergunta para - Como evitar ou diminuir os casos de assédio?. Essa abertura ocorreu por pensar primeiramente que não são somente as meninas que sofrem assédio e posteriormente por entender que de certa forma todos estamos envolvidos nesta questão.

 

Minhas reflexões me levaram para o questionamento sobre o uso atual da palavra "não".

Originalmente o não significa recusa, negativa, o contrário de sim, porém em algum momento, ou por gerações, seu significado ou sua função parecem ter se transformado, e hoje, muitas vezes também significa sim ou talvez, nesses casos deixamos de respeitar a palavra em seu sentido inicial.

 

Essa é uma reflexão ampla e profunda, mas neste momento vou me ater a questão do assédio.

Quantas vezes obrigamos nossos filhos, mesmo diante das negativas, a beijarem uma pessoa por educação? Quantas vezes eles não querem nossos abraços, mas nós queremos e os apertamos mesmo assim? E quando fazemos cosquinhas e as crianças pedem para parar, mas está tão gostoso ficar ali que continuamos? Saindo para crianças e pensando em nós adultos, será que já dissemos não pensando num sim? Já dissemos que sim, mas internamente a resposta era não? Eu já!

 

Esses comportamentos são normais e corriqueiros, não paramos para nos questionar a contradição do que está acontecendo de fato. O não está sendo desvalorizado e estamos deixando as portas abertas para as dúvidas. Nesse contexto o assédio foi se tornando algo "normal", muitas vezes nem nos damos conta que ele está acontecendo. Muitas vezes os assediados tem dificuldade de definir se seu não foi contundente, assim como o abusador, que por vezes também fica com o benefício da dúvida.

 

Essa questão é cultural e enraizada, porém apesar da dificuldade, acredito que uma transformação seja possível e que se inicia pelo resgate da origem do sentido e significado da palavra não. Precisamos aceitar o não do outro e ressignificarmos  os nossos próprios nãos.

Respeitar as negativas das nossas crianças ao contato físico pode ser um caminho para ensiná-lo que o não tem um sentido, evitando que eles permitam a aproximação indesejada e que aceitem a recusa do outro.

 

Volto a dizer que essa discussão é profunda e o assunto não se encerra, esse texto assim é um convite para uma reflexão.

Sinopse

Um dos maiores avanços da neurociência é ter descoberto que os bebês são muito mais do que uma carga genética. O desenvolvimento de todos os seres humanos encontra-se na combinação da genética com a qualidade das relações que desenvolvemos e do ambiente em que estamos inseridos.

O Começo da Vida convida todo mundo a ser um agente de mudança na sociedade: estamos cuidando bem dos primeiros anos de vida, que definem tanto o presente quanto o futuro da humanidade?

"Uma análise aprofundada e um retrato apaixonado sobre os primeiros mil dias de um recém-nascido, o verdadeiro começo da vida de um ser humano, tempo considerado crucial pós-nascimento para o desenvolvimento saudável da criança, tanto na infância quanto na vida adulta, onde os pais precisam ter o maior cuidado, amor e carinho possível."

 

Alguns trechos transcritos para pequena compreensão do que se trata este belíssimo  filme:

“Os primeiros anos de vida são os anos de formação, o que estimula o cérebro do bebê, não é nada além de uma percepção de um ser eu, como é ser humano, esta vida o que é? O que está sendo formada é a sua autopercepção e sua percepção do mundo”. 

(Raffi Cavoukian - Fundador do Centre for Child Honouring)

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“A criança não é uma tábua rasa, onde você coloca seus saberes e suas competências, as crianças aprendem e constroem seu saber junto a você,  junto aos colegas e junto às outras crianças e fazem isso se percebem que você está envolvida, se você está se divertindo com elas, se percebe que você está interessada no que elas estão fazendo e esse saber ele não passa só do adulto, mas, sobretudo da criança para as outras crianças.”

(Chiara Spaggiari – Professora – Reggio Emilia)

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“O ingrediente mais importante são as pessoas que interagem regularmente com a criança e que realizam a interação bate bola entre bebês e adultos. Essa interação acontece quando o adulto responde ao que o bebê está fazendo, como, sorrir, reclamar ou balbuciar, ela é essencial para desenvolver o cérebro do bebê.”

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P.: Aonde você morava antes de você nascer?

R.: Na barriga da minha mãe.

 

P.: Assim que você saiu da barriga da sua mãe qual foi a primeira coisa que você sentiu?

R.: Eu senti que eu tava aonde eu queria tá.

 

P.: Quem foi a primeira pessoa que você viu depois que você nasceu?

R.: A minha mãe.

 

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“A mãe é a primeira amostra da humanidade com a qual a criança tem contato, então a relação que você tem com a sua mãe, determina o mundo para o qual você vai entrar, e o apoio que você pode esperar dos outros.”

 

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“Às vezes as pessoas falam que hoje em dia os pais ajudam, mas acho que essa é uma questão que a gente precisa refletir. Quando a gente fala ajuda, a gente parte do pressuposto que a responsabilidade é da mãe. Então a ajuda é, alguém que vem quebrar um galho, quando na verdade existe pai que participa e pai que não participa. Como ele constrói o vínculo com o filho? Vínculo é algo que se dá muito no presente, no cotidiano. Assumir uma responsabilidade é se fazer presente na vida do seu filho.”

(Dra. Anna Maria Chiesa – Enfermeira e Especialista em Saúde Coletiva da USP)

Assista o Filme: